segunda-feira, 1 de junho de 2015

quarta-feira, 27 de maio de 2015

[para mim]

... a grande sabedoria da vida é conseguirmos identificar aquilo que nos faz felizes, mesmo que seja por segundos, num dia de 24 horas. Hoje identifico um momento: depois do treino, o impulso que me fez sentar no chão e alongar de forma manhosa. Deixei-me ali estar. Não sei quantos minutos foram, não contei. 5, 10, não faço ideia. Mas estiquei as pernas quentes, senti o alcatrão morno debaixo das palmas das minhas mãos e apreciei o vento debaixo da luz do candeeiro do estacionamento vazio. Não senti medo, não tive pressa, nem vergonha. Fiquei ali e por momentos, escassos instantes, foi como se tivesse deitada na relva de um aldeamento no Algarve, com os meus 15 anos e aquela sensação de que me espera tudo. E espera.


domingo, 24 de maio de 2015

Report

A ideia de escrever aqui o relato deste desafio não tem grande segredo. Não serve de auto-elogio ou para receber a atenção alheia. Na verdade nada ou quase nada divulgo este espaço porque a partilha tem como único objetivo elevar o meu nível de comprometimento. Escrever aqui o que faço ou o que sinto enquanto corro ajuda-me a disciplinar-me. Vejo os números a crescer, registo a minha evolução e obrigo-me a não esquecer a compensação que o esforço acarreta. Tenho tanta certeza disto que escrevo... Que esta semana amaldiçoei esta minha decisão. Porque contei eu a este pequeno mundo que me lê, que me meti nesta aventura irreal de correr 42k? Porque é que me pus a partilhar quilómetros e treinos? E quando falho? Não dá para enfiar a cabeça na areia ou por o lixo por baixo do tapete... Esta semana pensei que tinha mesmo escolhido a estrada mais difícil. É um bocadinho como quando fazemos dieta, anunciamos ao mundo e depois apetece-nos um chocolate. A inquisição das calorias insurge-se contra nós e sentimo-nos como assassinos de focas bebés sempre que nos aproximamos de um quadrado de açúcar. 
Continuando, esta semana falhei um treino. Sim, foi um só treino dirão vocês. Mas não foi só UM treino. Nos restantes corri menos do que o previsto e estive mesmo prestes a falhar um outro. Às tantas achei que devia fazer um reset, descansar uns dias e começar tudo do zero. Assobiar para o lado. Não o fiz. Escolhi treinar. Depois de um dia digno de um filme, de uma condição física diminuída e vontade abaixo de zero, fui. Fiz o paredão da praia, cruzei-me com gente a cheirar a creme solar e caracóis, olhei o mar e conversei. Corri 11k dos 14k que estavam planeados. Mas corri. Acho que isto não é falhar. É continuar a tentar. 

Semana #7
Número de corridas-3
Corridas acumuladas- 27
Quilómetros realizados- 23
Quilómetros acumulados- 209,5
Sentimento geral- todos os planos têm desvios...

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Em casa

Não costumo correr no sítio exato onde moro. Existem subidas em todas as direções e os percursos disponíveis são os mesmos dos veículos cujas rodas ridicularizam as minhas fracas pernas. Hoje, contudo, arrisquei-me. Queria tratar com rapidez deste aviso que o meu plano de treinos teima em alertar-me de forma sonora. Comecei por uma subida íngreme que, combinada com o vento, me tirou o ar. Recuperei com uma linha recta com vista para a montanha e distraí-me com a paisagem e os cheiros a que não estou habituada. Voltei pelo mesmo caminho e passei pela minha antiga casa. Pela minha primeira casa. Não parei. Já estava em descida acelerada e apenas fixei o olhar por segundos. Tive um flash daqueles que os filmes utilizam para retratar uma morte em progresso. Vi-me lá sentada no chão da sala vazia com a primeira pizza que encomendámos. Lembrei-me dos azulejos laranja da cozinha que depressa substituímos. Quando disse-lhe que estava grávida. Lembrei-me da varanda forrada a madeira e do estendal enorme que conquistou a minha versão Isaura. A Inês quando chegou a casa. Quando começou a andar agarrada ao sofá azul. A minha bichinha no colo dela- sem a magoar. O Gonçalo de fralda por todo o lado. A cadeira de bebé com nuvens azuis. A empregada que me mudou toda a decoração da cozinha. Corria e lembrava-me. Corria e pensava como as coisas que são coisas não deviam ter importância. São matéria. Não têm vida. Mas têm. Fazem parte de nós que lhes damos sentido. 
Hoje corri perto da minha casa. Da minha história. 

[este relato poderia ser bonito e poético se não tivesse corrido demasiado rápido na última descida. A pensar em bebés, em momentos e coisinhas fofinhas, depositei muita força numa passada e a guinada no dedo mindinho teve repercussões imediatas no extremo oposto das costas. Fiz os três últimos quilómetros como quem apanha azeitonas- agarrada às costas- e não estou certa de voltar a ter uma postura humana. E assim se assassina uma bonita história.]

domingo, 17 de maio de 2015

Contornar as pedras, os buracos e seguir

Ontem assisti a uma daquelas entrevistas televisivas que põem a chorar um pára-quedista de dois metros. Carlão {Pacman} falava sobre aquela ilusão recorrente que temos e que tem a ver com a relação entre idade e maturidade. Chegamos aos 30/40 anos e de repente somos adultos, só porque sim. Atingimos aqueles números e obrigamo-nos a sentir e a agir como gente grande. E quando chegamos lá percebemos que é mesmo só teatro, do mau. 
Isto tudo para dizer que somos todos muito parecidos. Algumas inseguranças, alguns medos e muitos momentos de "criança assustada". Mas depois olhamos em volta, focamo-nos no que vale a pena e avançamos. Como na corrida. 
Esta foi uma semana "assim-assim" mas, continuei em frente. 


Semana #6
Número de corridas-4
Corridas acumuladas- 24
Quilómetros realizados- 31
Quilómetros acumulados- 186,5
Sentimento geral- a ignorar a dor persistente no joelho direito.



Dos esforços relativos

Estive mais de três segundos sintonizada num canal desportivo. Na verdade, assisti a toda a transmissão da Meia-maratona do Douro. Isto seria impensável há pouco tempo atrás mas hoje... diria que o faço com absoluto prazer. Vejo tudo. O trajeto, as passadas, a tshirts técnicas, as medalhas, os pontos quilométricos... tudo. Imaginei o calor que sentiriam às 12h30 de um dia como hoje e lembrei-me do meu treino de ontem, agendado para as 8h20 da manhã. Não adivinhava que já estivesse tão quente e salvou-me a água que fui despejando por todo o meu corpo. Ora bebia, ora arrefecia a cabeça, o pescoço, as costas. Hoje esperam-me 11 quilómetros. Agendo-os para o final do dia na esperança do vento fresco me ajudar. Ainda assim receio os efeitos de um sábado preenchido (com treino incluído), de uma noite com sono intermitente e de um domingo que se iniciou demasiado cedo e que incluiu, como se quer, sol e mar. 
Saio agora a pensar na corrida que assisti de manhã. E se me faltarem as pernas, o ar ou as forças... não ousarei queixar-me.



quarta-feira, 13 de maio de 2015

[Parenteses]

Mensagem ao senhor que, a subir as escadas do hotel à beira-rio, nos acenou com a chave do seu quarto para um momento de louco prazer: 

Éramos meninas para aceder ao convite, engolir um risotto de camarão e investirmos em toda uma cena de alongamentos sensuais, nos lençóis imaculadamente esticados. O sr. até poderia assistir, numa poltrona de canto, ao bonito espectáculo que iria durar 2 minutos. Os restantes seriam reservados para duas moças transpiradas, num vestuário que se assemelha a um fato de bodyboard dos anos 90, prosseguirem num sono que poderia incluir alguma bába e, quiçá, alguns balbúcios do nosso lema "muitá boas"! 
Acene a outras, por favor.